| “No
Gravity”
Ser músico no Brasil implica
em ser bombardeado por uma infinidade de ritmos e estilos
musicais diferentes. Ser um músico de heavy metal
em terras tupiniquins significa agregar ainda mais influências
em sua musicalidade. Em mais de 16 anos de carreira,
Kiko Loureiro obteve como material de trabalho todas
essas nuances sonoras disponíveis. Esse leque
musical com a técnica, feeling e maestria na
guitarra está exposto em No Gravity, o debut
solo de Kiko.
Carioca radicado em São Paulo,
desde muito cedo Kiko teve contato com as seis cordas
ao compartilhar aulas particulares com sua irmã.
Apenas dez anos depois ele lançou um disco de
heavy metal com mais quatro brasileiros e conquistou
o mundo com uma das maiores bandas do heavy metal mundial,
o ANGRA. São treze anos com a banda e shows em
todos os quatro cantos do planeta. Freqüentemente
Kiko é eleito um dos melhores guitarristas do
mundo em revistas especializadas de países como
França, Japão, Itália e Brasil.
Em No Gravity, Kiko expõe toda
sua versatilidade e conhecimento musical em treze faixas
gravadas na Alemanha, no famoso House Of Audio, durante
três semanas após o término das
gravações do mais recente trabalho do
Angra, Temple Of Shadows. No Gravity conta com a experiência
de Dennis Ward (Pink Cream 69 e Angra) como produtor
e com o talento de Mike Terrana na bateria (Yngwie Malmsteen,
Macalpine, Rage, Axel Rudi Pell). Kiko não só
mostra ser um virtuose na guitarra como também
domina percussão, teclados, piano, baixo e violões
neste trabalho.
Mais que um “guitar hero”,
Kiko respira música e não se separa de
sua guitarra quase nunca. Sempre estudando, ele tem
aulas de piano e participa constantemente de “jam
sessions” nos charmosos bares de jazz da capital
paulistana. A idéia de lançar um álbum
solo permaneceu na cabeça de Kiko por muito tempo,
mas as turnês do Angra e as gravações
dos diversos cds, dificultavam a concentração
total neste trabalho. Finalmente ele se internou no
estúdio na Alemanha com Mike e Dennis e o fruto
desse trabalho é um cd impecável, lançado
e distribuído pela Hellion no Brasil.
Profundo conhecedor de jazz, rock,
heavy metal e principalmente música brasileira,
em No Gravity Kiko mostra a abrangência de seus
horizontes musicais com solos, riffs e melodias. Muito
rock sim, mas também choro, MPB e ritmos latinos
executados com peso e agressividade estão nas
criações de um instrumentista que prima
pela composição e construção
harmoniosa de seus temas. Um disco instrumental gostoso
de ouvir e com melodias marcantes. No Gravity traz o
talento já consagrado de Kiko Loureiro em versão
amplificada por todas as suas influências.
Elisa Palha
www.kikoloureiro.com.br
press@kikoloureiro.com.br
+55 21 8129-4981
| FICHA TÉCNICA
DO CD |
MÚSICAS:
01. Enfermo
02. Endangered Species
03. Escaping
04. No Gravity
05. Pau-de-Arara
06. La Force de L´Âme
07. Tapping Into My Dark Tranquility
08. Moment of Truth
09. Beautiful Language
10. In a Gentle Way
11. Dilemma
12. Feliz Desilusão
13. Choro de Criança
All songs composed and arranged by Kiko Loureiro
Kiko Loureiro - all electric guitars, acoustic
guitars, bass guitars, piano, keyboards, percussion
and programming.
Mike Terrana - Drums and percussion.
Produced by Dennis Ward and Kiko Loureiro
Recorded, Engineered and Mixed by Dennis Ward
Mastered by Jürgen Lusky
Recorded, Mixed and Mastered at House of Audio
- Germany in April/May 2004
Art and Photos by Marcelo Rossi
www.kikoloureiro.com.br/nogravity
info@kikoloureiro.com.br |
“No Gravity” não
é somente um projeto solo, mas sim a expressão
subjetiva da carreira de Kiko Loureiro. E para ser melhor
compreendido, o próprio guitarrista relatou quais
foram suas intenções e inspirações
durante o processo de composição e gravação
do disco.
Aqui vou comentar um pouco do conceito
e estética musical que quis apresentar nesta
meu primeiro cd solo.
Seja música instrumental ou
cantada, como alicerce de todo artista e sua arte, existe
um conceito e uma forma pré-concebida de como
esta expressão artística deve ser apresentada.
Nem sempre é necessário ter letra ou um
texto explicativo para dar conteúdo a um trabalho
musical. É claro que, em se tratando da linguagem
artística pura, sem palavras, o conceito fica
muito mais subjetivo. De alguma forma vou tentar explicar
as coisas que passaram na minha mente durante na concepção
e gravação do álbum.
“No Gravity”. Por que esse
nome? “Sem Gravidade”?
Várias pessoas ao longo do tempo me perguntaram
o que sinto quando estou em cima de um palco, ou o que
sinto quando estou tocando minha guitarra. É
sempre uma pergunta difícil de responder. Mesmo
porque expressar sentimento em palavras é coisa
de poeta. Nós instrumentistas fazemos isso com
música, numa outra forma de linguagem um pouco
mais abstrata. Para mim, com o passar do tempo, o controle
sobre a música, e o equilíbrio entre “intuição
x razão” na hora de compor e interpretar,
vem tornando-se cadê vez mais palpável.
Quanto mais conhecemos e dominamos a parte racional
e matemática da música, a parte intuitiva
flui de maneira leve e toma conta da gente e realmente
nos leva a “viajar” com a própria
música que estamos tocando. E esse é o
ponto que o músico quer atingir nas pessoas,
mas ele tem que conseguir com ele mesmo primeiramente.
Para essa sensação escolhi este termo
“Sem Gravidade”.
Enfermo
É a faixa de abertura deste
cd, principalmente pela sua introdução,
que é bem técnica e direta. Justamente
para mostrar que o cd é de Heavy Metal instrumental
e não música de elevador. O nome veio
baseado nas noções rudimentares do Mike
Terrana de português (que na verdade era espanhol,
mas para ele é tudo a mesma coisa...). Como ele
achou a música complicada já na sua introdução,
falava que era inferno e ou enfermo, achando que eu
era doente de colocar tantas notas juntas... Como queria
ter músicas com nome em português, e em
outras línguas, achei representativo o nome que
está em Espanhol e Português.
Endangered Species
Esta música me remete bastante
aos guitarristas dos anos oitenta que eu tanto escutei.
Tem uma levada em 6/8, com um riff com quebras de compasso
e também uma parte no meio com diversos outros
ritmos, como por exemplo, uma levada de salsa, um shuffle
à la Van Halen, etc.
Durante as gravações, o Mike Terrana,
o Dennis Ward (co- produtor) e eu, sempre falávamos
como está mudando a forma de se tocar e gravar,
depois de tanta evolução técnica
nesta área. Não que não seja bom,
mas as pessoas são menos preocupadas em tocar
seu instrumento realmente bem, pois tudo pode ser corrigido
no computador. Por isso coloquei esse título
na música. Às vezes nos sentimos como
sendo parte de um clube pequeno que as pessoas não
dão muita importância. Aquele “louco“
devoto à música e ao seu instrumento,
almejando a perfeição a qualquer custo
é uma espécie em extinção.
Escaping
Esse tema é um dos mais diretos
do cd. Com uma levada bem para frente e uma melodia
bem simples e forte, é daquelas músicas
boas para se tocar, super aberta para a interpretação
das nuances do instrumento ou para viajar numa estrada
e se desconectar do mundo. O meio da música possui
um interlúdio com uma harmonia bem jazzística,
com modulações mais sofisticadas sob um
ritmo “abrasileirado”, trazendo um novo
clima para a faixa. O nome “Escaping” também
remete à idéia de ser absorvido pela música
e sentir a mente escapar da realidade.
No Gravity
Essa é uma faixa que gosto muito.
Uma balada que ao tocar é muito cativante. Como
é a faixa título, compus de forma que
transmitisse a idéia principal do CD: aquele
ponto que o músico quer atingir, com ele e principalmente
com o público. Viajar com a música, dentro
do seu interior. É uma faixa leve, porém
mais profunda. Como também ocorre na maioria
das músicas, dando forma a um conceito que permeia
todo o cd, o interlúdio desta faixa traz algo
de latino, com um toque “Santana”, poderia
dizer. Apesar de não ter percussão e a
instrumentação da faixa ser mais orgânica,
com sonoridade de batera, baixo, violão e piano
Rhodes, a rítmica latina está implícita
nos acentos e tempos sincopados.
Pau-de-Arara
Toda calcada em ritmos brasileiros
como baião, maracatu e samba, este tema começa
com um violão de 12 cordas afinado como viola
caipira para citação do tema de abertura.
As melodias todas mostram minha enorme grande influência
e meu carinho pela música brasileira. Traz melodias
que nos remetem aos pífanos de Caruaru até
o grande Hermeto no refrão da música.
Procurei um nome que pudesse mostrar a força
do povo Brasileiro, a garra em seu anseio de mudança,
no sonho de uma vida melhor sem medir esforços.
La Force de L´amê
Esta faixa possui uma estrutura um
pouco menos convencional, pois os temas não se
reapresentam claramente. Temos um clima leve com guitarra
e seus harmônicos, piano sendo conduzido por uma
caixa com vassouras com acentuação bem
brasileira. A harmonia foge do convencional do rock,
mostrando minha influencia jazzística. Com a
entrada da parte mais pesada, a harmonia continua rica
com seus acordes superpostos e melodias em graus dissonantes.
Melodias e solos vão construindo a música
sem uma definição clara de onde vai chegar.
Temos a beleza da música instrumental que nos
deixa mais livres de regras.
O nome em Francês mostra a minha
preocupação em não ter o cd totalmente
em português, pois está sendo lançado
em diversos países das mais diversas línguas,
e sem dúvida não desejava tê-lo
todo em Inglês. Penso que devemos tratar a música
como uma linguagem e, portanto, não sermos obtusos
na língua que a descrevemos. “A força
da alma” é um termo que nos proporciona
muitas reflexões. Uma delas seria de encaramos
um instrumento como algo vivo, alguém que nos
relacionamos, e que tem uma alma que o faz importante
para nós. Por que será que instrumentos
da mesma marca, mesma qualidade podem ter sons e comportamentos
tão diversos? Conversa de louco? Não...
apenas um músico falando...
Tapping Into
My Dark Tranquility
Sob um batuque um pouco africano, um
pouco árabe, com Djembe e Derbak, mostrei minha
técnica de duas mãos sobre o braço
da guitarra. Técnica difundida pelo Stanley Jordan,
o qual por um período fiquei totalmente influenciado.
Hoje trago essa influência como uma forma alternativa
de linguagem na guitarra. É sempre um desafio
tocar algo totalmente solo para um guitarrista, repare
como poucos se arriscaram nesta área.
O nome da faixa descreve realmente a sensação
de tranqüilidade e calma que sinto ao tocar a guitarra
com a técnica do tapping na penumbra de meu estúdio.
Moment of Truth
Hard Rock mid-tempo bem ao estilo Van
Halen, que com certeza é uma das minhas maiores
influencias (e de quem nesse planeta não é?).
De estrutura direta, procurei nesta faixa somar temas
e sons de guitarra que formam uma textura bem interessante.
O riff e tema principal se repetem ao longo da faixa,
porém com modulações inusitadas
para não ficar enfadonho.
A sensação de compromisso
e cobrança na hora de gravar algo totalmente
sozinho é grande. Não tinha escapatória,
eu, minha música e meu tocar... era a hora e
a verdade.
Beautifull
Language.
Aqui é a expressão mais
pura de uma linda língua. A bela e incomparável
linguagem brasileira de fazer música. Compus
esta faixa já durante as gravações
de “No Gravity”. Senti que precisava colocar
no CD a forma mais pura da música brasileira
que eu conseguisse traduzir. Obviamente gravei no tradicional
violão de nylon com uma leve percussão
de improviso. Na maior vontade de evocar a nossa tradição
e sem medo.
In a Gentle way
Esta faixa tem claramente um formato
de canção cantada. Com introdução,
verso, ponte refrão, solos etc. Privilegiei bastante
as melodias neste álbum, e esta faixa mostra
bem isso, vide a leve citação dos reis
da melodia: The Bealtes.
Uma faixa mais pop, talvez, com djembes na introdução
e uma grande performance de Mike Terrana, mostrando
que mesmo no heavy metal é possível “suingar”.
Se o Miles escreveu “In a Silente Way” numa
fase mais intimista da sua recém incursão
e criação do estilo “Fusion”,
pensei que poderia descrever com esse nome a forma sutil
que podemos ir construindo uma música, seus climas
e melodias.
Dilemma
A Faixa mais “Angra” do
cd, com harmonias eruditas, velocidade e técnica.
Com toda a melodia calcada em acordes menores. O nome
“Dilemma” achei bem apropriado. Nos dá
aquele aspecto sombrio de dúvida da nossa existência
e de nossos anseios.
Feliz Desilusão
Como a grande maioria das baladas,
que podem nos trazer sentimentos de felicidade ou de
introspecção e tristeza, esta faixa recria
mais uma vez esta atmosfera de abstração
e absorção na música em si. Com
temas simples e claros, e camadas de guitarras diferentes,
sendo executadas ao mesmo tempo,esta faixa começa
a preparar o ouvinte para o término do álbum.
São as baladas que nos fazem por muitas vezes
entrar em uma viagem mental e pensar nos erros acertos
da vida... para uma pessoa otimista como eu, sempre
vejo o lado feliz e de engrandecimento de nosso erros
e desilusões...
Choro de Criança
Esta última faixa é com
se fosse uma pequena canção de ninar.
Uma oportunidade de mostrar meu lado violonístico
mais uma vez, agora, porém, totalmente solo.
E também mostra meu lado compositor de choros.
Mas esta faceta sou apenas um aprendiz, um pupilo, uma
criança... por isso o dúbio sentido do
título
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